segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Evangelismo" televisivo



O texto de Thiago Bomfim sobre o projeto “Minha Esperança” promovido pela associação do pastor Billy Graham – expoente pregador que viajou por todo o Estados Unidos e Europa levando os ensinamentos cristãos. O autor do referido texto disse, em suma, que a ênfase em números, a linguagem triunfalista do projeto e também a manutenção de celebridades de peso no mercado gospel é a estratégia para alavancar o empreendimento que custará 30 minutos em horário nobre. Segundo o autor, a televisão, além de entretenimento, é um comércio que desloca e suga muitos recursos que poderiam ser utilizados num meio mais eficiente.

Eu apreciei o texto e o repliquei para meu grupo de contatos. E como era de se esperar, recebi respostas negativas à mensagem e inclusive uma recomendação para tratamento psiquiátrico (risos). Fico impressionado como pessoas se privam do direito que tem de opinar para fazerem um mundo melhor a partir do contexto em que vivem. Os protestantes do passado se transformaram nos evangélicos de hoje, tolerantes quanto ao que é feito da igreja. Por exemplo, conheço uma comunidade que no ano de 2007 reservou 30%(algo em torno de 150 mil) da sua arrecadação anual para verba pastoral e apenas 8% para missões. Você acha que alguém falou algo que confrontasse o modus operandi da liderança que mantém um pastor como uma empresa mantém um executivo? Acho que não. Também pudera, com todas as ameaças de se tocar no “ungido de Deus” acredito que poucos se encorajem a denunciar tais práticas pelo medo das ameaças da religião. Você acha também que alguém vai protestar contra os milhões gastos todos os meses em mídia evangélica, alegando com isso que muitos estão se “convertendo” por tais programas que vendem mais Jesus do que o anunciam como proposta de Deus ao homem? Duvido. Sabe o que as pessoas preferem? É o vício eclesiástico. Elas sentem-se bem por estarem no lugar certo, na hora certa, vestindo as roupas adequadas para que possam ser vistas pelas pessoas certas. É o clubinho da fé. E tudo que ameaça a hegemonia da paz e conforto do clubinho evangélico é tratado como indiferença e até mesmo violência.

Quando vejo que a iniciativa evangelística é tratada como missão, fico feliz. Porém, os meios pelos quais a mensagem é anunciada, dão-me a impressão da estratificação do Evangelho. Fico pensando nas regiões que não possuem transmissão televisiva ou sequer uma televisão para assistir o programa. Quando penso que há lares que sequer possuem uma televisão, penso também nas favelas, na educação de crianças pobres, na saúde da população, na cultura desgraçada de uma sensualidade incentivada, nos moradores de rua largados e moribundos. Penso que a grana gasta nesses canais que só ajudam Marco Feliciano a vender roupa e o Malafaia a vender enciclopédias e bíblias e mais, digo que seria mais vantajoso à causa evangelística que todo o rio de dinheiro arrecadado para que o “Minha Esperança” conseguisse ir ao ar por trinta minutos, fosse empregado na manutenção de creches, hospitais, asilos e centros de inclusão de pessoas à margem da sociedade. Se a política é tão pragmática quanto a tratar os problemas na medida da aquisição de votos pelos governantes oportunistas; vejo programas de assistência voluntária que conseguem angariar recursos na visão de bem comum para a sociedade, como por exemplo, o “criança esperança”, “teleton” e etc... Fazem o papel que a igreja deveria estar fazendo, sem barganhar ou esperar que o governo cumpra o seu dever para com o cidadão.

Bem, esse assunto me enfastia...

Um abraço a todos!

Por Márcio

4 comentários:

Anônimo disse...

Li em algum lugar que hoje em dia o custo estimado para uma conversão nos EUA é de cerca de USD 1 milhão. Ou seja, some-se todos os gastos efetuados por todas as igrejas e "ministérios" para-eclesiásticos com mídia e divida-se pelo número de convertidos e chega-se a este valor.
Quanto deve custar atualmente uma covnersão no Brasil, se utilizarmos esta mesma equação?

Dener de Oliveira disse...

Evangelismo televisivo, adorei este artigo demagogo. Eu concordo que muito dinheiro de igrejas é destinado para fins quase injustificáveis, enquanto que a missão da igreja que é propagar o evangelho fica à mingua. No entanto comparar suntento pastoral de uma classe de minoria com a grande quantidade que não recebem nem para se sustetarem direito é hipocrisia. Também concordo que a igreja deveria fazer mais pelos menos providos do nosso país, mas assumir toda esta responsabilidade de quem não é de direito não faz sentido. Hoje aparecem os críticos de plantão de projetos evangelísticos que usam a mídia para difundir o Reino de Deus, e pelo que estou tentando descobrir é o que esta gente tem feito ao contrário do que pregam ferrenhamente contra, "NADA", não estão fazendo, simples e direto. É mais fácil atirar a primeira, segunda e terceira pedra, porém é mais difícil trabalhar e buscar aqueles que estão perdidos, como diz um pastor amigo "é mais difícil tirar minhoca do lajedo", por isto muitos não fazem o que deveriam fazer para dignificar o evangelho que os salvou. Achar que o dinheiro que foi investido no "Minha esperança" deveria ser revertido para obras sociais é uma idéia interessante, como a idéia de diminuir a verba que é destinada para sustento de presidentes, e diretores de grupos Missionários que ultrapassam a 30 salários mínimos (mensais)para cada. O problema é mais em cima. Partindo deste pressuposto, deveríamos investir toda a verba para missões regionais, nacionais ou internacionais para os descamisados deste país, e mandar os missonários voltarem para suas bases e se dedicarem ao trabalho de suas igrejas. É uma idéia tão boa quanto ao do autor enfastiado.

marcio disse...

olá dener,
O que escrevi está longe de ser "artigo"...não sou escritor, e é com "dores" que componho um texto pra lá de simplório. Obrigado por sua colocação. Contudo, discordo de alguns pontos, dos tais seria a demagogia. Pode parecer uma opinião generalizada quanto aos métodos, porém, a grade evangélica televisiva é composta quase(digo: quase!) na sua totalidade por homens que transformam a igreja hoje numa empresa, o púlpito num balcão de negócios, o templo numa praça de barganha, o evangelho num produto de consumo e os crentes em consumidores. Por aí fica difícil des-associar o fato de uma análise generalizada, posto que esses homens fabricam clones de si mesmos influenciados pelo glamour dos mega-ministérios. Outra coisa é dizer que não faço nada para dignificar o Evangelho que me salvou. Ora, tanto diginifico a graça que me alcançou que faço desse espaço um lugar de protesto contra aquilo que é verdade segundo o Evangelho. Digo verdade como vivência, caracterizada pelas obras de Jesus na simplicidade do dia-a-dia. Você sugere com desdém que os "des-camisados do país" sejam assistidos e reintera a manutenção do velho modelo eclesiástico. Bem, acho que vc não está dizendo "NADA" que realmente seja relevante à discussão e ênfase do texto. Todavia, não contesto os frutos do "Minha Esperança" e nem a mensagem do pr. Billy Graham, mas acredito que até o sua reputação não é suficiente para mudar a impressão que os expectadores também enfastiados, tem dos evangélicos e do Evangelho. Afinal, hipocrisia é concordar que muito dinheiro de igrejas é destinado para fins quase injustificáveis e manter-se quieto e indiferente...se essa é sua posição, lamento. Eu protesto!!!!

JOEL WYERAZ - EM ALGUM LUGAR disse...

O Brasil tem fome de comida.
Se déssemos carne, arroz e feijão para os necessitados alcançaríamos mais pessoas com nosso testemunho.

Qual emissora Jesus prefiria para anunciar a salvação? Seria a Globo?
Afinal ela ainda lidera.